Dando seguimento às análises feitas no dia 05/05 sobre preço e no dia 07/05 sobre produção, nosso colunista Lucas Botelho, lançou hoje mais uma notícia quente sobre produção, preço e mercado. Vamos lá?
PARA COMEÇAR, COMO ESTÁ A PRODUÇÃO BRASILEIRA?
Segundo informações do mais recente relatório da Nedspice sobre o mercado de pimenta-do-reino, o Brasil está hoje entre os três maiores produtores, sendo responsável por 14% do total produzido NO MUNDO!
A pimenta-do-reino preta é, disparadamente, a mais produzida e comercializada no Brasil. Hoje, os estados do Pará e do Espírito Santo vêm liderando o ranking produção no país, no entanto, a Bahia vem crescendo sua participação na produção nacional em função da intensificação dos cultivos de pimenta-do-reino no sul do estado.
A Bahia responde hoje por 5% da produção nacional, enquanto os estados do Espírito Santo e Pará respondem, respectivamente, por 40% e 54% do total.
A EXPECTATIVA É DE AUMENTO OU REDUÇÃO DE PRODUÇÃO?
A produção continua aquecida no Brasil e a expectativa é de um crescimento de aproximadamente 26% para o ano de 2018, quando se espera atingir 82 mil toneladas de pimenta-do-reino.
Esse aumento vai se refletir no nível dos estoques brasileiros de pimenta, que se espera que saltem de 41 para 70 mil toneladas, um crescimento de cerca de 71%!
No gráfico abaixo é possível observar como a produção brasileira vem crescendo de maneira vertiginosa nos últimos anos. Sendo motivo de orgulho para os agricultores!

MAS E O PREÇO, QUAL A TENDÊNCIA NO MERCADO INTERNACIONAL?
Os preços no comércio internacional continuam em queda (Lembrando que até agora estamos falando apenas da pimenta negociada em dólar). Porém, por um lado positivo, estamos cada vez mais perto do fim do ciclo de baixa. No curto prazo, a Nedspice aponta que os preços tendem a ser mais estáveis, contudo, a médio e longo prazo a tendência continua de queda.
MAS E QUAL O IMPACTO DA A ALTA DO DÓLAR?
Nas últimas semanas presenciamos uma forte elevação das cotações do dólar americano, que chegou a quase R$ 4,00. Esse aumento é, em grande parte, explicado por mudanças na economia norte-americana. Com a economia a todo o vapor e o desemprego em níveis baixos, há expectativa de aumento na inflação, o que leva o governo a elevar a taxa básica de juros para equilibrar essa pressão sobre os preços.
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COMO ISSO AFETA O PRODUTOR RURAL BRASILEIRO?
Essa variação no câmbio pode ser positiva ou negativa para o produtor brasileiro. Tudo depende dos seus custos e da forma de comercialização.
Um lado negativo nessa história pode ser na hora da compra dos insumos. Se o dólar estiver alto no momento da compra de defensivos, fertilizantes ou máquinas agrícolas (que são, na sua maioria, importados), o produtor pode sentir um aumento considerável nos custos de produção.
Por outro lado, se o produtor exporta sua produção, ele pode se beneficiar da receita em dólar e aumentar sua renda bruta nesse período.
O problema está no quanto o dólar pode variar entre os momentos de compra de insumos e da venda da produção.
Se os insumos são adquiridos num momento em que o dólar está mais equilibrado e os produtos (como a pimenta-do-reino), são vendidos no mercado externo num momento de cotações mais elevadas, os resultados provavelmente serão muito positivos para o bolso do produtor. No entanto, se a situação for a inversa, há grande risco de diminuição na renda bruta e lucro ou até mesmo prejuízo nas operações de exportação.
O mesmo acontece quando se vende no mercado interno. Como o produtor recebe em reais, os seus custos podem aumentar em função de insumos mais caros e a receita permanecer a mesma.
O melhor a fazer é procurar minimizar os riscos, estando sempre atento às notícias do mercado e, também, buscando ferramentas que minimizem os efeitos de variação do câmbio, como os contratos.

Lucas Botelho
Bacharel em Agronegócio – UFV
Escritor PepperBlog
