23 de fevereiro de 2026

Como identificar e monitorar os padrões de qualidade da pimenta?

Bom dia amigo leitor e comprador de pimenta! Como vai?

Hoje vamos falar sobre qualidade!

Nos últimos dias algumas empresas e produtores rurais entraram em contato conosco querendo saber um pouco mais sobre quais são e como obter os principais padrões de qualidade. Então vamos lá!

QUEM DEFINE OS PADRÕES DE QUALIDADE?

Instrução Normativa 10 de 2006, lançada pelo MAPA (Ministério da agricultura pecuária e abastecimento), é quem regulamenta o controle de qualidade da pimenta-do-reino destinada à comercialização e à importação. Esta norma ainda fala um pouco sobre a amostragem dos lotes, os procedimentos complementares para análise e o roteiro a ser seguido para a classificação completa do seu produto destinado à importação ou exportação.

A Instrução Normativa define duas principais classes de pimenta: A pimenta preta e a pimenta branca. Além das classes, ela também define três principais tipos: ASTA, B1 e B2.

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS PADRÕES ANALISADOS?

Os principais parâmetros analisados e as suas definições são:

  • Densidade: Corresponde à relação de uma massa de produto sobre o volume ocupado. Sua unidade de medida é g/L.
  • Umidade: Percentual de água encontrado na amostra do produto.
  • Impurezas: Detritos do próprio produto como fragmentos de cachos, folhas, galhos, cascas etc.
  • Matéria estranha: São pedras, areias, sementes de outras culturas, metal ou qualquer produto que não seja oriundo da pimenta.
  • Grãos mofados: Grãos contaminados por mofo ou bolor, visíveis a olho nu. São aqueles grãos de coloração clara que geralmente aparecem quando a pimenta recebe chuva ou demora muito para secar no terreiro.
  • Grãos chochos: São grãos com maturação muito precária. Apresentam densidade muito menor que a dos grãos normais. Geralmente é o resultado de pimenta colhida muito verde.
  • Grãos escurecidos: Aplica-se apenas à pimenta-branca. Se referem aos grãos de colação escurecida.
  • Substâncias nocivas à saúde: Correspondem às micotoxinas, resíduos de agrotóxicos e outros contaminantes que são previstos conforme a legislação do país de comercialização.
  • Extrato etéreo: Percentual de óleos essenciais e lipídios. Geralmente é exigida apenas por compradores de pimenta para moagem e extração do óleo vegetal.

QUAIS SÃO OS LIMITES A SEREM OBEDECIDOS?

As características acima apresentam alguns limites máximos ou mínimos utilizados para definirem o tipo de pimenta (ASTA, B1 ou B2). Os índices estão descritos na tabela abaixo.

De maneira geral, os compradores da pimenta já possuem uma estrutura para realizar este tipo de análise antes do momento da compra do produto. Quando não possuem os equipamentos necessários, trabalham com parceria junto à um laboratório.

Apesar do grande número de análises, a maioria pode ser replicada na fazenda ou indústria e ser utilizada como balizamento das análises laboratoriais e como vantagem competitiva no momento da comercialização.

COMO OBTER AMOSTRAS PARA ANÁLISES?

O primeiro passo para obter os padrões de qualidade é separar uma amostra representativa do lote. Para que a análise seja representativa é necessário seguir os procedimentos a seguir de coleta:

  • Observar as condições gerais do lote do produto como:
    • Odor estranho de qualquer natureza impróprio ao produto;
    • Presença de insetos vivos ou mortos quando destinado à alimentação humana;
    • Percentual de grãos mofados superior a 2% e mau estado de conservação do produto.

Quando observados algumas destas condições, a pimenta é considerada como DESCLASSIFICADA e é proibida sua comercialização, segundo a Instrução Normativa.

  •  A coleta de amostras de pimenta ensacada ou a granel deve ser feita por furação ou calagem. São escolhidos sacos ou pontos de retirada de amostra de maneira aleatória.  A quantidade de pontos de coleta de amostra varia conforme a quantidade de produto a ser amostrado, segundo a tabela abaixo:

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Tamanho do lote em sacosNº mínimo de sacos a serem amostrados
2 a 252
26 a 503
51 a 905
91 a 1508
151 a 28013
281 a 50020
501 a 120032
1201 a 320050
3201 a 1000080
10001 a 35000125
35001 a 150000200
150001 a 500000315
500001 ou mais500
  •  As amostras extraídas conforme a distribuição anterior devem ser homogeneizadas e acondicionadas em, no mínimo, três amostras com peso mínimo de 1 kg cada, devidamente identificadas, lacradas e autenticadas.
  •  Será entregue uma amostra para o interessado e duas ficarão com o classificador responsável.

COMO ESTIMAR OS PARÂMETEROS NA MINHA FAZENDA?

Se por um lado alguns parâmetros exigem uma instrumentação e processos mais detalhados, por outro lado, existem parâmetros que podem ser obtidos mais facilmente, mesmo que de maneira um pouco mais imprecisa que no laboratório. São eles:

Densidade: Pode ser estimada por meio de uma proveta e uma balança de precisão (imagens abaixo).

Basta encher uma proveta com volume de 1litro, deixando os grãos caírem de maneira livre até a altura de grãos coincidir com a marca de 1 litro da proveta.

É importante ressaltar que NÃO deve ser feito nenhum tipo de compactação ou movimentação do material com a intenção de “caber mais” pimenta.

Em seguidar, deve-se pesar a massa de pimenta presente na proveta. O valor obtido na balança (em gramas) corresponde à densidade da pimenta em g/L.

Umidade: No Brasil, a regra de determinação de umidade oficial adotado pelo MAPA é o mesmo definido pela Regra para Análise de Sementes – RAS (Brasil, 1992). O método padrão prevê o uso de estufas. Porém, este método é muito demorado e exige uma estrutura de controle e equipamentos específicos.

Uma maneira de facilitar a medição da umidade é utilizar os equipamentos eletrônicos semelhantes ao da figura abaixo. A marca mais comum no mercado é a GEHAKA.

É importante ressaltar que é necessário confirmar no momento da compra se o equipamento está configurado para trabalhar com pimenta-do-reino, já que alguns modelos podem não ter essa opção.

Outro ponto importante de se lembrar é que este aparelho necessita de constante calibração. Para isso, de tempos em tempos é necessário entrar em contato com o fabricante e solicitar que um responsável técnico faça a aferição.

Impurezas e matéria estranha: Para essa análise, utiliza-se uma amostra de 250 g pesada em balança digital.

Na amostra, são retiradas todas as impurezas e matérias estranhas visíveis a olho nu.

Todo o material retirado deve ser pesado.

O resultado percentual de impurezas e matérias estranha é obtido dividindo a massa de partículas retiradas da amostra pela massa total, convertendo a razão para percentagem.

Grãos mofados: Para essa análise, utiliza-se uma amostra de 250 g pesada em balança digital.

Na amostra, são retirados todos os grãos com aparência de mofo (com coloração esbranquiçada).

O material retirado deve ser pesado.

O resultado percentual de grãos mofados é obtido dividindo a massa de grãos mofados pela amostra total da amostra, convertendo a razão para percentagem.

Tiago Tozi

Engenharia Agrícola e Ambiental – UFV

Escritor PepperBlog

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